Marcelo Monteiro
Além das palavras.
Comunicação que acredita no que é humano.
Quem sou
Jornalista, especialista em Saúde Mental no Trabalho, com passagem por

13
anos de experiência em comunicação
2
prêmios de jornalismo
- 2º lugar · Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo Universitário
- 1º lugar · Prêmio ARI de Assessoria de Imprensa · em equipe
Capítulo I
A enchente




Na sexta, 3 de maio, eu já tinha escrito um release sobre a Ulbra ceder alguns ginásios para a prefeitura e, em último caso, também alguns prédios. Ninguém imaginava que "último caso" seria a única opção em poucos dias.
Enquanto o Brasil assistia Madonna em Copacabana, eu editei um vídeo em que o reitor falava sobre famílias chegando para passar a noite. Vi o show, dormi. E quando acordei, no domingo, tinha mais material pra editar. Depois disso, eu não lembro quando parei de trabalhar.



Doze horas por dia,
sete dias por semana.
Da noite para o dia, a Ulbra tinha oito mil pessoas desabrigadas dentro do próprio campus.
Só pude ir ao campus dias depois, pois as estradas estavam quase todas fechadas. Foram apenas quatro dias lá. Em um deles, 13 horas seguidas. Registrando. Entrevistando. Atendendo imprensa. Comendo a mesma marmita distribuída no abrigo.
Foi ali que senti o limite. Voltei a trabalhar de casa. Não porque tivesse parado, mas porque precisei ajustar o formato para continuar entregando sem me destruir no processo.
Toda imprensa que quisesse cobrir o campus precisava passar pela equipe. Eu fui um dos responsáveis por intermediar o acesso ao abrigo.
Alguns nos buscavam,outros chegavam sem avisar.



O confronto
Um repórter conhecido da TV foi um desses. Ele saiu abordando os desabrigados perguntando sobre acusações graves contra o abrigo que circulavam pela internet. Sem checar nada.
Fui atrás dele e expliquei tudo. Ele resistiu, disse que queria ouvir as pessoas, que aquilo era burocracia. Insisti, num tom que reconheço como desaforado: como jornalista, ele deveria saber que apurar também exige ouvir o outro lado.
Ele ouviu o responsável pelo abrigo. As acusações nunca foram ao ar.




Entrevista para o programa As It Happens, da rádio CBC, do Canadá
O que ficou
62 dias depois, acompanhei a saída da última família do abrigo.
Carrego Raquel e seus parentes comigo até hoje. Não como lembrança triste, mas como critério de trabalho.
Entendi, na prática, que uma palavra pode mudar como alguém entende uma dor. E essa lembrança está em tudo o que eu escrevo.
Assista ao minidoc sobre a família da Raquel
Capítulo II
De repórter
a personagem
Entrei na Ulbra pra fazer assessoria de imprensa e redes sociais ao mesmo tempo, o que na prática significava cobrir tudo sozinho: celular próprio, edição própria, legenda própria.
Só bem mais tarde o setor ganhou equipamento profissional e alguém dedicado a pensar estratégia de vídeo.
Foi aí que os vídeos deixaram de ser só explicativos e passaram a ter roteiro, personagem, atuação.
Passei a ser dirigido, virei talento dentro do roteiro de outra pessoa, e topei.
Mais do que isso, amei.
Interpretei um paciente sendo reanimado numa cena tão convincente que um estudante de Medicina elogiou. Quase chorei de verdade implorando ao ChatGPT pra ser meu psicólogo. Interpretei um psicólogo atendendo uma paciente em crise.
Considero este o melhor vídeo que a equipe já produziu, numa gravação que ultrapassou o expediente e me fez perder até meu vôlei daquela noite. Ao final da tomada, caímos na gargalhada.
Sempre foi assim:
seriedade absoluta dentro da tomada,
descontração total fora dela.
Cumplicidade em ambos os momentos.
Capítulo III
As raízes
Eu aposto que você nunca viu um fã-site dedicado à uma banda ser listado num currículo como experiência.
Mas eu fiz isso.
E, bem, consegui meu primeiro estágio assim.
Aos quinze anos, eu já tinha tentado abrir blog várias vezes.
Começava, escrevia um post, a ideia acabava ali.
Até que me entendi como fã de verdade e pensei: é disso que eu preciso escrever.
Nasceu num Blogspot.
Hoje o perfil tem 143 mil seguidores.


































































A despedida se estendeu por dois anos.
Eu sentia que o projeto consumia demais de mim.
E que eu centralizava demais pra equipe crescer.
Foi difícil largar uma vitrine daquele tamanho.

Ainda mais sabendo do carinho que a banda e sua equipe sempre tiveram pelo projeto. E por tudo que os fãs fazem.
No aniversário de dez anos, meu último ato à frente do projeto, consegui que o Chris Martin gravasse um vídeo desejando parabéns pra equipe.
Capítulo IV
De repórter a gestor
Quando a então coordenadora de Endomarketing saiu, o superintendente de Marketing da Ulbra me convocou. Eu tinha acabado de terminar a pós-graduação.
Respondi com “Eu estudei pra isso.”
Assumi o setor.
Encontrei uma casa pra arrumar.
Oscomunicadosnãotinhamtratamentovisualnenhum.Useitudoaprendidecódigoláatrás,noColdplayBrasil,econstruíumaestruturadetemplates.
Montei time para liberar meu tempo estratégico.
Assim, consegui transformar a comunicação interna da Ulbra.
Os grupos de WhatsApp foram repaginados.
As divulgações ficaram mais despojadas.
A newsletter virou um agregador de conteúdo de qualidade.
Tudo deixou de ser um simples comunicado. Virou uma estratégia.





Sempre pensando fora da caixa
Com o auxílio da inteligência artificial, criei um app para centralizar todo o trabalho do setor. Tudo pelo navegador. Sem precisar baixar nada.

Sincronização de calendário de envios
Gerenciamento de rascunhos
Edição de templates
